Estava jogando uns papéis fora e arrumando umas coisas da mudança, quando achei uma coisa que me deixou bastante comovida: um manuscrito de uma carta que produzi em 2007, acredito que eu não tinha muito o que fazer naquela época, mas aquela letra meio torta e tremida me fez perceber que não tenho que me envergonhar de quem eu era. Por isso, vou postar aqui, assim vou lembrar sempre de onde "eu vim".
"Bom dia, “futuro”, essa é uma espécie de carta pra gente poder lembrar de como éramos/somos. Isso pode parecer meio tosco, porém acho necessário, já que eu não consigo me recordar nem mesmo o que comi ontem no almoço...Nós ainda usamos Ange ou Démon? Ou nos rendemos aos encantos de outros perfumes? Ainda sonhamos em casar com o suposto namorado perfeito? Paramos de sonhar todas as vezes que vamos ao Casa Park? Soubemos fazer as escolhas certas? Cumprimos as promessas de ano novo? Começamos a ir a missa todo domingo? Strogonoff continua a ser nossa comida preferida? Não enjoamos de chocolate (acho isso impossível, se eu bem te conheço)? Moramos ainda no mesmo lugar? Se mudamos, você continua a odiar mudanças? Paramos de querer tudo do nosso jeito sempre? Controlamos o ciúmes? Estamos solteiras ou namorando? Passamos a gostar de rosa? Aprendemos a ser mais seguras? Resolvemos escolher uma profissão (ganhadora da mega não vale)? Como estamos nos sentindo? Magoadas? Ressentidas? Estamos dando o melhor de nós, assim como nossa mãe nos ensinou? Perdoamos o nosso pai? Aprendemos a gostar do nosso irmão? Passamos no vestibular? Mas antes disso, decidimos nosso curso? Tomamos um porre no nosso aniversário de 18 anos? Saímos de casa no dia seguinte para fazer várias tattoos e 500 mil piercings? Continuamos com as mesmas amizades? Conseguimos tirar aquela impressão fria que todos tem de nós? Ainda ouvimos as mesmas músicas? Paramos de tentar provocar nossa mãe? Ainda temos a mesma idéia do que é amor? Ainda temos medo de altura? E ainda temos alguém que nos proporcione frio na barriga? Escrevemos quantas cartas de amor? Repetimos de ano alguma vez? Superamos nossas inseguranças? Fizemos por merecer? Enfim, aguardo respostas.
Com amor,
Isadora Ramos Estrella (24/11/2007)"